quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Menos.

Eu preciso aprender a ser menos.
Menos dramática.
Menos intensa.
Menos exagerada.
Alguém já desejou isso na vida: ser menos?
Pois é.
Estranho.
Mas eu preciso.
Nesse minuto,
nesse segundo,
por favor,
me bloqueie o coração,
me cale o pensamento,
me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma.
Porque eu preciso.
E preciso muito.
Eu preciso diminuir o ritmo,
abaixar o volume,
andar na velocidade permitida,
não atropelar quem chega,
não tropeçar em mim mesma.
Eu preciso respirar.
Me aperte o pause,
me deixe em stand by,
eu não dou conta do meu coração que quer muito.
Eu preciso desatar o nó.
Eu preciso sentir menos,
sonhar menos,
amar menos,
sofrer menos ainda.
Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase?
Confesso: eu não consigo.
Nada em mim pára,
nada em mim é morno,
nada é pouco,
não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama.
E eu vou...
Com o coração na mochila,
o lápis borrado,
o sorriso e a dúvida,
a coragem e o medo,
mas vou...
Não digo: "estou indo",
não digo: "daqui a pouco",
nada tem hora a não ser agora.
Existe aí algum remedinho para não-sentir?
Existe alguma terapia,
acupuntura,
pedras,
cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento?
Quer saber?
Existe.
Existe e eu preciso.
Preciso e não quero.

Fernanda Mello

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