domingo, 19 de maio de 2013

Sobre a Solidão. (Fernanda Young)

Entender é trancar-se dentro da palavra.
Quem não sabe, quem não quer saber de nada... gruda a língua no céu da boca, não escuta e finge que não vê. Entender é um outro nível da ignorância. Bastaria um toque se não fossemos livres. Não é preciso nenhum livro pra quem pode não ler. Se não quisermos, amiga, não entenderemos nada...
Tem quem prefira os beijos às palavras. Tem quem não viva sem o OFF e diz, NÃO, o tempo todo. Tem gente de tudo que é tipo. Só não devemos viver sem sentido, sem a realidade, o objeto, o eu e o você.
Somos infelizes! Jamais sobreviveríamos à liberdade de leves e inconseqüentes ações...

Vamos, vamos logo subir esta escada que leva o amor ao ultimo andar. Estamos descalços e o mármore gela nossos pés. Solta o teu copo pelo tremor do castelo que desmorona. Então, vamos! Segura firme no corrimão, respire fundo. Subir tão alto da vertigem e olhar para trás deixaria-nos cegos.

Os erros são medusas intransigentes. Arrancam nossas lembranças boas e tatuam desaforos e mágoas. Por isso marche, ainda estou contigo. Para ir até o fim da paixão tem que se estar acompanhado. Sinta o meu perfume enquanto o vento do tempo sopra este bafo de mudança. Se quiser dou-lhe o braço e entraremos no salão da grande dança. A quadrilha dos desafortunados só começa quando o poeta recita a dor de um adeus.

Pronto, mais alguns passos e poderemos nos soltar no espaço, livres, serenos e tristes. Vamos logo, não há mesmo como evitar a covardia, não há coragem para se ir até o fundo. É isso, meu amor, agora só mais um degrau e você estará de novo em paz, com seu coração vazio, por isso vamos!

O nada não inspira, não treme os sexos, não dá calafrios, nem ciúmes, não cria o ódio, não teme o abandono. Ali você poderá descansar sem culpa, remorsos, sonhos estúpidos. Amar proibido é muito, causa tanto estrago. E por isso, por tudo isso, vamos! No final, devo pedir perdão por tê-lo tocado.

Agora pode largar minha mão, pode partir. Lembre-se ou esqueça-se de mim. Coração quebrado tem cura. A paz é não precisar mais aguardar a perfeição que não existe.

Não estou mais agüentando. A ansiedade, não mais aquela por bombons, poderá me estourar as veias. É o pior momento esse, meio excitado meio cansado, quando espero que campainhas toquem anunciando mudanças. E elas tocam. Usa somente um rapaz que me diz de uma encomenda, um engano, ou uma ligação familiar. Nada de mudanças! As mudanças, minha cara, só nas cores de cabelo, nas roupas e nos dias da regra mensal.

Não! Não queiram que eu acredite que tudo que vivo será eterno! Igualmente bom, para resto dos meus dias. Não posso viver como igual! Não posso sobreviver ao certo! Não quero morrer com certezas! Então, vai se fuder e abstrai logo.

O receio da confusão é o estresse, do medo a apatia, das impulsivas atitudes, mágoas.

Escuto músicas as alturas, quero somente amortecer os erros e mudar de idéia.

Quem sabe o porquê do quê? Do que você tá falando, mulher? Nada, nada... É só a vida enchendo saco com surpresas. Queria ser do século 17, afar o peito e ajoelhar num confessionário de madeira de lei. E eu não entendo porra nenhuma de madeira. Entendo de culpas. Mas é negra a solidão de quem escreve.

Na casa dos meus avós tinha móveis negros. Não tenho mais ninguém para mexer gavetas e tomar coca-cola pequena no gargalo.

Um comentário:

Unknown disse...
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